sábado, 9 de abril de 2005

Charles Baudelaire

A 9 (ou, segundo alguns, a 7) de Abril, nasceu em Paris Charles Baudelaire, o "primeiro maldito" segundo Verlaine ou o "grande vidente" para Rimbaud. Pai espiritual de poetas de várias escolas literárias que se lhe seguiram, influenciou grande parte da literatura do séc. XIX e mesmo do início do séc. XX em França, mas não só (em Portugal por exemplo).

Mas o que o tornou célebre, foi o processo originado pela publicação do seu livro "Les fleurs du mal", por atentado aos bons costumes e ataques à religião, que acabou na condenação pelo tribunal de Paris, a 20 de Agosto de 1857, a pagar pesadas multas e ordenada a supressão de 6 poemas considerados obscenos, embora a as multas tenham sido posteriormente fortemente reduzidas. Mas Baudelaire foi reabilitado definitivamente em Justiça em 31 de Maio de 1949 (sim, 1949, não é engano), por acórdão da Cour de Cassation (o Supremo Tribunal de Justiça francês).

Mas, mais do que dados biográficos de Baudelaire, o mais importante é a sua poesia. E entre os seus poemas mais conhecidos está "L'albatros", onde Baudelaire declara a sua concepção de "poeta", uma concepção marcadamente romântica, de ser excepcional de mal como mundo, um ser incompreendido.

L'ALBATROS

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
La navire glissant sur les gouffres amers.

À peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poëte est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu de huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

Voltarei a Baudelaire em breve.

1 comentário:

andreia disse...

Então, podes sempre publicar os poemas "escandalosos", à época, de Les Fleurs du Mal. L´albaroz é bom, mas a paixão dos poemas "malditos" bate qualquer outro.

http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/